10 a 13 de novembro de 2021 – RECIFE – PE

EIXOS TEMÁTICOS

Os congressos bianuais da ABRAMD são construídos de forma democrática e participativa, a partir do envio de propostas de atividades por parte de associados e participantes. Em 2021 estas atividades seguirão os seguintes eixos, os quais guiarão as discussões que ocorrerão no evento e os trabalhos a serem enviados ao evento:

  • Direitos Humanos, Democracia e Políticas sobre Drogas: enquanto alguns países começaram a rever a Política sobre Drogas, buscando alternativas para legalizar/regulamentar a produção, a venda e o comércio de substâncias psicoativas que hoje ainda são proibidas, o Brasil assistiu a tramitação no Congresso Nacional da modificação da Política sobre Drogas (Lei 13.840/2019) que reforça a fracassada política proibicionista de cunho manicomial. De forma abrupta e sem diálogo, o governo brasileiro redirecionou os investimentos públicos – técnicos e financeiros para ações autoritárias, como as internações compulsórias e o financiamento de comunidades terapêuticas, em detrimento dos investimentos na Rede de Atenção Psicossocial de base territorial.  Essa política tem provocado importantes danos sociais, políticos e econômicos, além de agravos à saúde das pessoas e da sociedade como um todo.
 
  • Segurança Pública, Racismo e Encarceramento: os efeitos bastante conhecidos do proibicionismo e do racismo, associam, sem evidências comprovadas, o consumo de drogas ao aumento da violência e do crime organizado. E tem como resultados, o preconceito, a discriminação, a intolerância e a exclusão dos segmentos social e economicamente mais vulneráveis, que são traduzidos na morte e no encarceramento desnecessário de jovens (homens e mulheres), pobres, negros, desempregados e com baixa escolaridade. Além de dificultar a atenção à saúde e a assistência às pessoas que usam drogas e de produzir, paradoxalmente, a insegurança generalizada para toda a sociedade,
 
  • Covid-19 desafios ao campo de estudos e práticas sobre drogas: embora os efeitos da pandemia ainda não sejam totalmente conhecidos, alguns estudos indicam a ocorrência do aumento do consumo de substâncias, em especial de bebidas alcoólicas, em função do estresse, ansiedade e depressão, decorrentes de medidas de isolamento social, adicionado à própria situação da pandemia que desperta incerteza, insegurança e medo global. Ademais, o impacto gerado pela crise econômica, que acarretou no aumento do desemprego e na redução de oportunidades, afeta desproporcionalmente os segmentos mais pobres, tornando-os, talvez, mais vulneráveis ao consumo e/ou ao comércio de drogas ilícitas.
 
  • Drogas e interseccionalidades (raça, gênero, religião, moralidades, classes sociais): este eixo busca agregar contribuições que problematizam questões de gênero articuladas com os temas de classe social e raça-etnia, na compreensão dos usos de álcool e outras drogas a fim de apreender a articulação de múltiplas diferenças e desigualdades nas gestão dos corpos e dos prazeres na sociedade atual.
 
  • Controle social e participação de movimentos sociais no campo das drogas: ações afirmativas, participação social e formas de incidência: desde a CF de 1988 foram criados mecanismos para garantir a participação de distintos setores da sociedade em órgãos gestores e consultivos. Nos últimos anos, os espaços para a participação social no Brasil vem sendo descaracterizados, visando eliminar a sociedade civil desse lócus de controle e decisão. Em tal contexto faz-se ainda mais importante dar destaque e discutir formas de incidência da sociedade civil no campo das drogas, seja em espaços formalizados ou não, de controle e participação social a fim de garantir a visibilidade às formas de lutas que envolvem os direitos humanos e das pessoas que usam drogas.
 
  • Cannabis: usos medicinal, recreativo e ritualístico e os desafios em contextos proibicionistas: o campo de estudos e práticas com maconha medicinal está em franca expansão. Mais de 40 países têm a maconha liberada para este fim, além dos países que já legalizaram também seu uso recreativo. As pesquisas avançam na utilização da maconha no tratamento de uma diversidade de doenças, como câncer, crises convulsivas, autismo, esclerose múltipla, entre outras. Este eixo visa a discussão dos dilemas atuais presentes neste campo.
 
  • Renascimento Psicodélico: plantas professoras e psicodélicos no Brasil e no mundo: o campo de pesquisa e cuidado com plantas professoras e psicodélicos cresce rapidamente. Atualmente se mostram promissoras no tratamento de diversos transtornos, como o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), a depressão, a ansiedade, transtornos pelo uso de substância, entre outros. Visa a promover discussão e a difusão de conhecimentos nesta área para estimular o desenvolvimento de um campo brasileiro dos psicodélicos.
 
  • Atenção Psicossocial e Intersetorialidade: a atenção psicossocial é a estratégia adotada pelo SUS para operacionalizar as mudanças no modelo de atenção psicossocial, a qual é eminentemente interdisciplinar. Dada a complexidade desse desafio, este eixo visa agregar pesquisas e relatos de intervenções no âmbito do SUS que atuem nessa perspectiva no campo da atenção às pessoas que usam drogas.
 
  • Redução de Danos: desafios e perspectivas em tempos de retrocessos: a Redução de Danos é uma estratégia de cuidado que se dissemina a partir dos anos 1980, como uma resposta pragmática à epidemia do HIV/AIDS e, ao longo dos anos, foi ganhando espaço em outros campos de reflexão e intervenção, como a saúde mental e o desenvolvimento social. Com as mudanças recentes na política nacional sobre drogas se faz necessário, mais do que nunca, discutir e potencializar ações e pesquisas que tomem a Redução de Danos como diretriz de trabalho e ética de cuidado, capaz de responder aos desafios do campo em tempos difíceis.
 
  • Clínica e estratégias terapêuticas para transtornos relacionados ao uso de substâncias e não relacionados (telas, jogos, sexo, etc.): os usos problemáticos ou intensos são fenômenos que vão se transformando com a contemporaneidade. Da mesma forma, vão se desenvolvendo as respostas a eles no campo do cuidado. Outro aspecto que se diversifica e se amplia é o dos transtornos não associados a substâncias, como o jogar ou comprar compulsivo, a dependência de telas, sexo ou redes sociais. Este eixo visa a apresentação de dados atualizados sobre estes fenômenos e sua discussão.
 
  • Educação sobre drogas e Promoção da Saúde: campo de pesquisa, saberes e práticas que se debruça ao conhecimento e compartilhamento de materiais, métodos e estratégias voltados para reflexão crítica e autônoma, sensibilizando para novas relações e entendimentos acerca do uso de drogas, centrados da Redução de Danos e gestão de riscos e prazeres. Se propõe a dialogar com professores e alunos, espaços de educação formal e informal, numa visão e postura ético-moral antiproibicionista, pautada em uma educação libertadora. Este eixo busca apresentar as discussões atuais da área.
 
  • Novas práticas de cuidado: curandeirismo urbano, imigrantes, diversidade sexual, pessoas em situação de vulnerabilidade social, juventudes e indígenas: Numa área como a de atenção às pessoas que usam drogas, em que existe uma diversidade de contextos e sentidos de uso e os tratamentos tem pouca efetividade, existe também uma multiplicidade de práticas de cuidado. Para além dos tratamentos oficiais e os tradicionais da área, é fundamental dar visibilidade e destaque a novas pesquisas e práticas que usem recursos da cultura popular e/ou que adequem suas ações a contextos e populações específicas. Este eixo visa a visibilidade destas práticas e pesquisas.